por Mário Soares

Segui, como europeísta convicto que me tornei, toda a motivação criada, no pós-guerra e tentei criar uma associação em Portugal que fosse a secção nacional do Movimento Europeu. Mas durante a ditadura de Salazar isso não só se tornou difícil como mesmo impossível.

Depois da normalização democrática que se seguiu à Revolução dos Cravos, a partir de 25 de Novembro de 1975, o I Governo Constitucional – que tive a honra de presidir – requereu a adesão de Portugal à então CEE e ao Conselho da Europa era ministro dos Negócios Estrangeiros, Medeiros Ferreira. A adesão de Portugal só viria a concretizar-se em 12 de Junho de 1985, em Portugal e também, no mesmo dia, em Espanha.

Cinco décadas depois da criação do Movimento Europeu, em 1998, já então eleito Presidente do Movimento Europeu, celebrou-se o quinquagésimo aniversário do Movimento Europeu em Amesterdão, sob a presidência da Rainha Beatriz da Holanda. Pronunciei, então, um discurso para celebrar o aniversário. Tinha substituído há pouco tempo o Presidente Valery Giscard d’Estaing e, dois anos depois, fui substituído, pelo meu amigo espanhol José Maria Gil-Robles.

Antes tinha sido presidente do Movimento Europeu nacional que, com altos e baixos, se tem vindo a desenvolver em Portugal. Hoje o Presidente é a Profª. Doutora Maria Carrilho, minha colega no Parlamento Europeu e amiga, que tem personalidades que fazem parte do Conselho Directivo extremamente responsáveis como: Rui Vilar, Carlos Gaspar, Teresa de Sousa e Victor Martins.

Num momento em que a Europa está a viver a maior crise da sua existência, há que mobilizar todas as consciências europeias para a defender da degradação e bem assim o euro. Para tanto, não bastam medidas de austeridade, como as Troikas, que estão em vários Estados-vítimas, preconizam. Porque é absolutamente necessário fazer crescer a economia real e combater o desemprego, que está a subir em flecha, com as consequências que são conhecidas.

Neste combate político, mas também cívico e ético, é preciso que os membros do Movimento Europeu Internacional – e os movimentos nacionais – participem activamente, por forma a salvar o euro e a impedir a desagregação e a decadência da União Europeia. É um combate de verdadeira sobrevivência.