Europa:  unidos na diversidade!

No século passado, muitos países europeus envolveram-se em duas guerras mundiais onde milhões de europeus perderam a vida. A economia europeia foi severamente afectada e o mapa da Europa teve de ser redefinido, tendo as fronteiras de alguns países sido alteradas.

Depois da última destas guerras, dois franceses, Robert Schuman e Jean Monet, lançaram a ideia de os antigos inimigos, França e Alemanha, passarem a colaborar na produção de carvão e aço em vez de fabricarem armas e lutarem entre si.

Assim, a9 de maio de 1950, Robert Schuman, ministro francês dos negócios estrangeiros, propôs a criação da chamada “Comunidade Europeia do Carvão e do Aço”. A Alemanha, a Bélgica, a França, a Itália, o Luxemburgo e os Países Baixos, foram os primeiros países a aderirem a esta nova organização formada em 1952.

Esta aliança funcionou tão bem que, em 1957, os seis países decidiram criar outra aliança, a Comunidade Económica Europeia, para, em conjunto, construírem políticas e instrumentos normativos que reforçassem o comércio e o apoio à agricultura. Este método de cooperação foi paulatinamente alargado a outros sectores de atividade em relação aos quais os membros das comunidades consideravam que os resultados melhorariam se o trabalho fosse conjunto.

As duas comunidades, mais a entretanto criada, “Comunidade da Energia Atómica, fundiram-se e formam agora a União Europeia.

Cada país membro tem uma palavra a dizer neste processo e a maioria das decisões é tomada, tanto pelos ministros dos governos nacionais, como pelos homens e mulheres eleitos directamente pelo povo para o Parlamento Europeu.

O trabalho dos membros do “clube” teve tanto sucesso que cada vez mais países da Europa se quiseram juntar. A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido decidiram aderir em 1973. Em 1981, aderiu a Grécia, seguindo-se Espanha e Portugal em 1986. A Áustria, a Finlândia e a Suécia aderiram em 1995 e em 2004, foi a vez de dez países aderirem simultaneamente: a Eslováquia, a Eslovénia, a Estónia, a Letónia, a Lituânia, Chipre, a Hungria, Malta, a Polónia e a República Checa. Em 2007 a Bulgária e Roménia foram acolhidas como membros da União Europeia que conta agora com 28 Estados-Membros, depois da adesão da Croácia em 2013, ainda que se abeire a saída do Reino Unido.

A União Europeia é um grande mercado para todos os países membros, baseado em quatro liberdades:

livre circulação de pessoas, que permite viajar, mas também viver, estudar e trabalhar no estrangeiro;

livre circulação de mercadorias, que permite comprar e vender produtos entre países;

livre circulação de serviços, que permite partilhar as competências e os conhecimentos especializados;

livre circulação de capitais, que permite transferir ou investir dinheiro para/em outros Estados-Membros.

Mas a Europa não é apenas um grande mercado, a finança, a economia ou a tecnologia. A Europa assenta, sobretudo nos valores partilhados, como a paz, a liberdade, a prosperidade e a solidariedade.

No ano em que se assinalam os 70 anos da Conferência de Haia, ato fundador do Movimento Europeu Internacional, a Europa é e continuará a ser uma comunidade que partilhará um futuro aberto, na unidade da dignidade humana e na diversidade das suas culturas e povos.

José Conde Rodrigues